Passar para a navegação primária Passar para o conteúdo Passar para o rodapé
Regressar a Blog

Os doces conventuais Portugueses: receitas e workhops

a close up of a portuguese cake

Os doces conventuais representam apenas um dos vários tipos de sobremesas que podem ser encontrados em Portugal e são os que mais gosto e admiro! Existem mais de 150 receitas… um prazer sem fim! Nomeadamente, o tão famoso Pastel de Nata ou Pastel de Belém!

Além disso, algumas destas receitas viajaram e influenciaram as tradições e sabores de outros países, especialmente no Japão com o seu famoso bolo de Castella- Kasutera – inspirado no Pão de Ló Português.

Vamos descobrir tudo sobre isso e poderá ainda experimentar fazer algumas destas receitas em casa!

Saiba mais no nosso Livro gratuito de Receitas e na aula de cozinha: Aprender a fazer Pasteis de Nata com um pasteleiro!

uma senhora a preparar uma sobremesa portuguese à base de ovos

Natacha, skipper nas nossas viagens de veleiro é também uma exímia cozinheira de sobremesas conventuais

Doçaria conventual: um património exclusivo da gastronomia portuguesa

Usa-se o termo “conventual” visto que estes doces foram inventados a partir do século XV pelas freiras e monges de muitos conventos construídos em Portugal, como estratégia de poder contra a religião islâmica.

São mais de 150 sobremesas conventuais, todas caracterizadas por três ingredientes: água, açúcar e gemas. Portanto não fique surpreendido ao descobrir receitas com 15 ou 30 de gemas de ovo! Uma proeza que só os portugueses fazem.

Doces conventuais portugueses: porque utilizamos exclusivamente gemas de ovo?

Antigamente as claras de ovos eram usadas para engomar os hábitos de freiras e padres fazendo com que ficassem mais duros.

As claras de ovos eram também usadas para confecionar o pão ázimo – pão eucarístico e os vinicultores usavam grandes quantidades de claras para clarificar os seus vinhos brancos.

De forma a aproveitar as gemas que sobravam, as freiras, monges e sacerdotes começaram a criar receitas usando açúcar das ex-colónias que começara a chegar ao país.

Cada convento produzia as suas próprias receitas, que foram durante muitos anos mantidas em segredo.

Entre os séculos XVIII e XIX, Portugal foi o principal produtor de ovos da Europa chegando a exportar grande parte das claras.

funil para fazer fios de ovos

Funil para fazer fios de ovos

Quando foi decretada a extinção das Ordens Religiosas em Portugal, durante a revolução liberal, estas receitas foram sendo relevadas. Hoje em dia estas fazem parte do património gastronómico português. Contudo, acredito que ainda existam algumas por desvendar.

Apesar da doçaria conventual ser caracterizada por estes três ingredientes, (em que alguns casos foram sendo adicionados produtos locais tais como amêndoas, figos, feijão, etc.) não são todos iguais! São bastante criativos oferecendo-nos experiências diversas e surpreendentes tanto no sabor como visualmente.

Fico fascinada com as diferentes texturas, formas e sabores que se podem experienciar. Existem inúmeras técnicas, tempos e temperaturas para cozinhar tanto o açúcar como os ovos, o que confere singularidade a cada doce conventual.

Receitas de doces conventuais: um segredo escondido

São tantos que se torna difícil mencionar todos os doces conventuais existentes em Portugal. Contudo, alguns dos meus favoritos são o Pudim Abade de Priscos, Pão de ló, Jesuítas, Fidalgos, Toucinho do Céu, Pão de Rala, Lampreia de Ovos, Barrigas de Freira, Cornucópias e claro, o Pastel de Nata ou de Belém.

um prato cheio de fios de ovos acabados de fazer

Fios de Ovos

No natal fizemos vários Doces Conventuais em casa!

Natacha, skipper e host nos nossos tours, é dotada para fazer doçaria conventual que exigem muita técnica, paciência e perfeccionismo. Um dia ela irá fazer Aulas de Cozinha online ou em Lisboa! Até lá, poderão contacta-la para qualquer dúvida, dicas ou para agendar uma aula privada!

Por exemplo, usando um peculiar funil como este, cozinhámos os Fios de Ovos. No vídeo abaixo podem descobrir como usá-lo!

Os fios de ovos podem ser saboreados como sendo uma única sobremesa ou podem ser utilizados para compor outros doces como é o caso da lampreia, ou o fidalgo (na foto) – recheado com fios de ovos e que fizemos no Natal.

sobremesa conventual fidalgo num prato

Fidalgo

Para fazer dez Fidalguinhos cozinhámos durante 3 horas e usámos 33 gemas!

O Pudim Abade de Priscos tem o nome do abade que desenvolveu a receita, e é também uma das minhas preferidas! Composto por 15 gemas de ovo, esta sobremesa tem uma textura firme, mas macia e amanteigada. Para esta receita usámos finas fatias de Toucinho. Veja aqui os ingredientes e o nosso resultado caseiro.

Toucinho do Céu é também confecionado com toucinho, mas neste doce adicionamos com amêndoas moídas. É um doce mais comum nos restaurantes o que faz com que haja uma maior possibilidade de o provarem! Visitantes que provaram, durante o nosso Tour gastronómico em Lisboa, adoraram!

Para os vegetarianos: Hoje em dia muitos restaurantes estão a substituir a banha de porco por manteiga, o que é muito relevante para quem procura pratos vegetarianos! Em caso de dúvida basta perguntarem ao empregado de mesa ou ao dono do restaurante e eles serão honestos e ficarão até orgulhosos por vocês saberem como são feitas estas sobremesas portuguesas!

Também fizemos Pão de Ló, um bolo muito fofo, feito com ovos, açúcar e um pouco de farinha (nós também temos uma versão sem glúten). A versão que mais gostamos é de Ovar – fofo à volta e húmido no meio com uma crosta tipo veludo por cima!

pão de ló na forma acabado de sair do forno

Pão de Ló

Sabiam que este bolo inspirou a criação do famoso Bolo de Castella JaponêsKasutera (カステラ)? É um bolo que os amantes da cozinha Japonesa Adoram!

Bolo Catella: uma sobremesa Portuguesa no Japão!

O que é exatamente o bolo japonês Castella e como ele se tornou parte integrante da gastronomia japonesa?

Pouco antes da política de sakoku, desejando que todo o comércio com o estrangeiro fosse encerrado, os portugueses foram para o Japão no século XVI, para comércio e trabalho missionário.

Em Nagasaki, num movimentado porto de comércio internacional que agora está fortemente associado ao bolo de Castella japonês e influências ocidentais, era onde os comerciantes portugueses tinham privilégios comerciais especiais no porto de Dejima.

Diz-se que os missionários cristãos a bordo ofereciam o Pão de Ló aos japoneses, em troca da autorização de atracar e também para adoçar a palavra missionária, atraindo mais convertidos e membros da igreja entre os habitantes!

Desta forma, os portugueses introduziram no Japão açúcar (assim como abóboras e tabaco) que se tornou um ingrediente caro limitando o consumo deste novo bolo às famílias ricas. Aos poucos, a receita original e viajada do Pão de Ló português foi adaptada pelos japoneses, nomeadamente substituindo o caro açúcar por xarope de amido ou mel.

Hoje em dia podemos encontrar diversos sabores de Bolo Castella, de chocolate ou chá verde, como o que preparámos em casa.

Este bolo já faz parte da cultura culinária japonesa tento se espalhado por todo o país graças à cerimónia do chá, um fenómeno cultural que se estava a expandir na época.

duas fatias de bolo japones Castella

Bolo Castella caseiro

O bolo tornou-se tão popular, que quando estudantes Japoneses foram para Portugal, acabaram por levar a “nova” receita do bolo. O bolo de Castella está disponível para compra em praticamente todo o Japão. Quando visitar Portugal poderá prová-lo na loja Kasutera em Lisboa ou encomendá-lo à Natacha Dias.

Qual a origem do nome Bolo de Castella ou Kasutera?

Há quem diga que este bolo, hoje vulgarmente conhecido por Pão de Ló, era referido como Pão de Castella, sendo Castella um antigo reino da Península Ibérica.

Outra teoria, algo engraçada, está relacionada com o termo usado em português: bater as claras em Castelo, isto é, quando as mesmas são batidas vigorosamente até ficarem firmes.

Os Pastéis de Nata e de Feijão são exemplo de mais duas sobremesas que foram adotadas pelos Asiáticos e que serviram de inspiração para a criação de Manju e Anko. Trata-se de uma pasta de feijão adzuki… mas vamos deixar esta receita para outro episódio!

Livro de receitas de sobremesas portuguesas

Convidamo-lo a fazer o Pão de Ló e o bolo Kasutera em casa como um Chef! Para isso criámos um pequeno livro recheado de detalhes e truques, com ilustrações feitas à mão!

 

Workshop de culinária para aprender a fazer Pastéis de Nata (receita Portuguesa)

Agora já sabem que o famoso Pastel de Nata é apenas um dos doces conventuais portugueses.

Com a pandemia sabemos que é difícil para muitos de vocês viajar e por isso deixamo-vos o melhor workshop de culinária online , organizado por um dos nossos parceiros, para que possam fazer de A a Z o nosso Pastel de Nata! Esta é única experiência com um verdadeiro pasteleiro!

  • Publicado em:
Skip to toolbar